ALIMENTOS FUNCIONAIS

Alimentos funcionais são aqueles com propriedades que vão além da qualidade do alimento como fonte de nutrientes. Seu consumo vem aumentando bastante como resultado de uma preocupação individual com a saúde.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), alimentos funcionais são aqueles que produzem efeitos metabólicos ou fisiológicos através da atuação de um nutriente ou não nutriente no crescimento, desenvolvimento, manutenção e em outras funções normais do organismo humano.

Entretanto, para que um determinado componente do alimento tenha seu efeito comprovado são necessárias muitas etapas de avaliações que levam certo tempo para se realizar. Infelizmente o mercado tem lançado vários produtos, ainda sem ação comprovada cientificamente. Alguns exemplos de alimentos com ação funcional comprovada:

FIBRA ALIMENTAR OU FIBRA DIETÉTICA

A fibra alimentar é facilmente encontrada nos alimentos que consumimos diariamente como vegetais, frutas, cereais integrais e feijões.

De acordo com sua solubilidade no trato gastrintestinal, a fibra alimentar é classificada em solúvel e insolúvel, desempenhando papéis diferentes no metabolismo.

O alvo de ação da fibra alimentar é o trato gastrintestinal, tendo importantes efeitos no metabolismo como redução do risco de doenças cardiovasculares, de certos tipos de câncer e de diabetes mellitus (tipo 2), além da promoção de uma laxação e trânsito intestinal normal.

A recomendação da ingestão de fibra alimentar em vários países é da ordem de 20-30g por dia que pode ser obtida com o consumo de frutas, vegetais, cereais integrais e leguminosas (grãos).

PROBIÓTICOS

São microorganismos vivos que atuam no intestino, promovendo o equilíbrio da flora microbiana intestinal. São várias as espécies de microorganismos considerados probióticos e as mais conhecidas são os Lactobacillus e as Bífidobacterium, que estão presentes nos iogurtes, produtos lácteos e leites fermentados.

Não foi ainda comprovado o mecanismo de ação desses probióticos, mas há fortes evidências que eles podem inibir a proliferação de organismos patogênicos, ou porque competem por nutrientes ou porque produzem substancias que diminuem o pH do meio intestinal, favorecendo o crescimento de uma flora protetora.

Principais benefícios atribuídos aos probióticos:
  • Diminuição da incidência, duração e gravidade de doenças gástricas e intestinais;
  • Preservação da integridade intestinal;
  • Inibição da colonização gástrica com H. pylori que é associado à gastrite, ulceras e câncer de estômago;
  • Melhora do sistema imunológico, porém ainda não se sabe se essa alteração é temporária;
  • Estudos preliminares indicam que podem diminuir a incidência de alguns tipos de câncer.
A concentração de probióticos no alimento varia bastante e não há padrões de identidade para os níveis de bactéria necessários para o iogurte e outros produtos fermentáveis.
 

SOJA

Muitos trabalhos têm sido realizados com a soja e demonstraram que a proteína isolada da soja, quando consumida entre 25 e 50g/dia regularmente, reduz o colesterol plasmático.

A soja contém ainda isoflavonas consideradas fitoestrógenos que podem interagir com a produção, metabolismo e ação de hormônios sexuais, reduzindo também a concentração de estrógenos livres no plasma. Vários trabalhos demonstraram que a ingestão diária de isoflavonas melhora os sintomas da menopausa.

O isolado protéico de soja pode ter diferentes concentrações de isoflavonas, podendo variar de 0,1 a 2 mg/g. Isoflavonas são subclasses de fenóis presentes em feijões e outras leguminosas, sendo a genisteína e a daidzeína as mais conhecidas e encontradas nos produtos de soja.
 

ALHO

Contém alhicina que é obtida com a trituração do dente de alho. A alhicina e outros componentes voláteis são os responsáveis pelas propriedades funcionais desse alimento.

O possível efeito anti-tumoral do alho tem sido atribuído a S-alilmercaptocisteína, que inibe em testes laboratoriais a proliferação e progressão de células cancerosas no intestino humano. Existem também relatos que evidenciam a atividade anti-tumoral do alho no câncer de fígado em ratos e no câncer de próstata.

O alho também é considerado protetor contra doenças cardiovasculares por reduzir a concentração de colesterol sérico e a pressão sanguínea.

Referência Bibliográfica:
Cuppari, L., Guia de Nutrição: Nutrição Clínica no Adulto. 1ª ed. Ed Manole, Barueri, 2002.
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